Obra da ETA Itapuã-Lami vira símbolo de desperdício

Obra da ETA Itapuã-Lami vira símbolo de desperdício

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A estrutura que prometia resolver o problema histórico da falta de água em Viamão se transformou em um retrato do abandono e do desperdício de dinheiro público. A obra da Estação de Tratamento de Água (ETA) Itapuã-Lami, anunciada em 2024 como a grande solução para o abastecimento da cidade durante o verão, hoje encontra-se deteriorada, com ferros expostos, concreto rachado, água parada, lixo acumulado e mato tomando conta do local. Integrantes do Movimento em Defesa de Água Subterrânea, o vereador Marco Antonio Borrega, o professor Jamir da Silva e o presidente da Associação de Moradores de Águas Claras, Omar, estiveram no local e mostraram, em vídeo e imagens, o estado de abandono da estrutura, que já consumiu mais de R$ 100 milhões em recursos públicos. “Essa é a realidade que o povo precisa saber. Uma obra pública simplesmente abandonada. Mais de 100 milhões jogados fora, enquanto o povo de Viamão poderá sofrer com a falta d’água no verão”, destacou o vereador Borrega durante a visita.

Promessa de solução – O projeto original previa a interligação entre as ETAs Fiúza e Alvorada, garantindo o fornecimento de água tratada a diversas regiões do município. Com a privatização da Corsan e a entrada da AEGEA, os rumos da obra mudaram: a empresa optou por abandonar a ETA Itapuã-Lami e investir na perfuração de poços artesianos em Águas Claras, alegando que a extração direta de água subterrânea seria uma solução mais eficiente e econômica.

“Os moradores de Águas Claras não são contra o abastecimento de água. Mas queremos transparência e responsabilidade. Não há estudos técnicos sobre a exploração das águas subterrâneas, nem licenças ambientais que garantam a segurança do processo”, reforçou o presidente da associação. Segundo o professor Jamir da Silva, o novo projeto da AEGEA/Corsan foi iniciado sem licença de operação, sem outorga para os poços e sem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) exigido por lei.

A Justiça, inclusive, negou recursos da empresa por falta de documentação e irregularidades ambientais, mantendo as obras dos poços paralisadas. “A própria Justiça confirmou que a obra dos poços não possui as licenças necessárias. Mesmo assim, a empresa insiste em seguir um caminho que coloca em risco o meio ambiente e o abastecimento futuro”, explicou o professor. Durante a visita à ETA, o vereador Borrega reforçou que a solução para o abastecimento de Viamão está parada na própria estação e cobrou explicações da empresa sobre o abandono.

Falhas de gestão e omissão do poder público – Além das irregularidades ambientais, há críticas à Prefeitura de Viamão que teria permitido o avanço das obras de captação sem exigir o devido licenciamento da FEPAM, ignorando alertas da comunidade local e de especialistas. O Movimento em Defesa da Água denuncia que, enquanto a empresa busca alternativas mais lucrativas, a população permanece vulnerável e o meio ambiente ameaçado. Com o abandono da ETA Itapuã-Lami e a indefinição sobre a nova forma de captação, Viamão corre o risco de enfrentar novamente a escassez de água no verão. O vereador Borrega alerta que a responsabilidade não é da comunidade rural, mas sim da gestão equivocada da AEGEA/Corsan e da omissão das autoridades públicas. “Se faltar água neste verão, a responsabilidade é da empresa que tomou decisões estratégicas equivocadas e do poder público que se omitiu. O povo de Viamão não pode pagar por erros de gestão e por um modelo de privatização que só trouxe prejuízo”, concluiu Borrega.

Contexto – A ETA Itapuã-Lami fazia parte de um investimento superior a R$ 100 milhões, projetado para ampliar a capacidade de abastecimento de Viamão e reduzir a dependência de captações emergenciais. O projeto chegou a ter licença de operação emitida e foi apresentado como um modelo sustentável de tratamento e distribuição de água. “Hoje, porém, o local se tornou um símbolo do descaso e do desperdício de dinheiro público, mostrando como a falta de fiscalização e o descompromisso público-privado podem transformar uma promessa em ruína”, concluiu o vereador Borrega.